Assistir "Tropa de Elite" é, como disse o Jabor, uma experiência. O filme é ótimo, incrível e ninguém que goste de cinema deve perdê-lo.
De todos os elementos interessantes, queria destacar um para comentar. Creio que esse é o primeiro filme que vejo (seilá, a memória pode me faltar, mas eu acho) onde o sujeito cinematográfico do filme identifica como objeto estranho, desconhecido e porisso apontado como "do mal", a classe média burguesa da cidade grande nacional.
No filme, a elite da tropa luta contra o "movimento", o tráfico, mas tem com eles uma relação de reconhecimento mútuo, de inverso que legitima e reconhece o verso. Eles se matam mas não se odeiam. A elite da tropa também reconhece a corrupção da polícia comum; são seus "quase-eles". Com relação à polícia corrupta o sujeito do filme reconhece e antes de odiar, despreza.
Mas em relação à burguesia maconheira, estudante da PUC-RJ, o que aparece é uma coisa nova: o sujeito cinematográfico do filme não reconhece, não entende, não aceita e, efetivamente, odeia.
E isso num filme filmado, dirigido e financiado por essa mesma burguesia. Isso é, de fato, bastante interessante.
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