segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Morfeu

Um amigo assistiu um filme que sabia tocar em questões delicadas suas. A noite sonhou sonho-pesadelo que tratava das tais questões, agenciadas pelos restos do filme, e acordou várias vezes, em picos de angústia. Amigo escolado com a montanha-russa onírica, nem se preocupa mais muito. Mas observou coisas interessantes, e me ligou para contar. Observou que ao acordar, angustiado e agitado, tinha a sensação de que não estava dormindo, que tinha estado meio acordado meio dormindo, em estado intermediário, como se estivesse tentando dormir mas não conseguisse por causa da angústia do sonho. Como se estivesse com insônia; e então essa mesma sensação de insônia se desdobrava apontando para essa própria insônia e a decorrente impossibilidade de adormecer. Ocorre que esse meu amigo, que já viveu experiências quetais diversas vezes, sabe que essa sensação não corresponde à realidade. A realidade é que ele adormece, sonha seu pesadelo, acorda angustiado e adormece de novo e de novo sonha seu pesadelo e de novo acorda angustiado e de novo adormece etc. Não é insônia.
Então porque a sensação de insônia, para trás e para frente da noite?
Eu disse a ele que provavelmente por um desejo de não mais sonhar, de não adormecer para não sonhar, por medo de continuar dormindo e sonhando isso que ele estava sonhando. Mas como o sonho estava operando favoravelmente, apesar da experiência de angústia, ele pôde seguir dormindo.

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