sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Homeopatia

A primavera já chegou e, com ela o fenômeno que se repete duas vezes ao ano, no início da primavera e no início do outono: um avanço viral sobre as populações humanas. Devido a instabilidade do clima e talvez a seilá mais o quê, o fato é que nessa época pipocam as viroses, os resfriados e etc, especialmente sobre as crianças pequenas.
Eu, como pai de três, que crescendo que vão escapam cada vez mais dessa onda doente, conheço entretanto muito bem toda essa história. Filho doente, angústia, médicos, remédios etc.
Começa aqui então a questão que eu gostaria de apresentar, que é uma bastante conhecida aqui em São Paulo, talvez no Brasil, numa perspectiva da burguesia paulistana, na sua busca de saúde em ambiente privado (no sentido de inverso de saúde pública): usamos a medicina comum, "tradicional", ou a homeopática? Na verdade a questão que gostaria de proprôr não é própriamente a da escolha entre essas duas possibilidades, mesmo porque o mais comum é que se escolham ambas, diferenciando somente o campo de atuação de cada uma: quando a coisa aperta, em geral pacientes (ou pais de pacientes) e mesmo os médicos usam das práticas alopáticas.
O que gostaria de discutir é a medicina homeopática, ou, antes, a prática, especialmente a puericultura, da medicina homeopática. Sua eficácia. É necessário alertar, porém, que não sou médico nem sou estudioso de medicina homeopática; sou psicólogo, psicanalista, pesquisador e, digamos, usuário. E, claro, me interesso a bastante tempo sobre essa questão toda.
Gostaria de apresentar aquilo que são algumas conclusões provisórias de alguma pesquisa e reflexão. Em primeiro lugar é necessário afirmar que não é possível aceitar que o fator central para a função terapêutica da medicina homeopática seja a medicação receitada, as tais "bolinhas". Não é possível aceitar que essas pílulas, carregando elementos-ativos dissolvidos a enésima potência, e porisso trazendo somente a "vibração fundamental" de tal elemento/princípio, possam agenciar transformações de ordem terapêutica nos sujeitos que as tomam. Não obstante gostaria de afirmar a efetividade transformadora da prática homeopática. Então como fica? O que é que opera?
No meu entender o que opera é de ordem psíquico; a prática da medicina homeopática se sustenta enquanto prática psicoterapêutica, digamos. E vejam que não se trata, claro, de propôr que as bolinhas operam como placebo. Se trata de função terapêutica agenciada pelos seguintes fatores: trasferência, agenciamento de angústia em esquemas obsessivos, legitimação psicossocial.

6 comentários:

Anônimo disse...

Jerô,
Só agora tive um tempinho para olhar sua produção bloggistica.
Fui entrando sorrateira e, logo no primeiro post, já fiquei entretitida e parei para pensar...
Ainda hoje de manhã preenchi a ficha médica 2008 da Rosa para o Grão de Chão e hesitei na hora de assinalar as práticas por nós adotadas, cheguei a fazer um X na homeopatia, mas depois deixei só na alopatia mesmo. Agora, lendo sua reflexão, entendi o porquê da minha dúvida. Não é que não acredite nos determinantes causais
dos efeitos homeopáticos, e concordo com você que não seja efeito placebo, mas justamente, deixo a esfera da transferência e agenciamento de angústias para lidar com sintomas mais crõnicos,
para buscar uma vida saudável através dos laços que somos capazes de formar. Nas agudezas dos sintomas e no furor de febres e machucados, vale a lógica interventiva "um agente, uma causa".
E digo mais, a questão da dose é mesmo um grande mistério, vide a máxima dos venenos de uns sendo a cura de outros...Nesse sentido,adoro as explicações da física sobre sistemas que operam longe do equlíbrio e "tchum", quando viu, já se auto-organizaram em níveis discretos de funcionamento. A dose pode fazer a diferença entre um nível e outro, entre o celular e o endócrino, entre o imune eo psiquíco e por aí vai...
Bom, deixa eu voltar para as minhas toxinas e clonagens.
Beijo e parabéns,
Má.

PJ disse...

É isso aí cumadinha. Adorei seu comentário. Talvez devêssemos conversar mais sobre essa questão das dosagens. Até lá, ainda acho difícil aceitar essa idéia da dissolução infinita em busca da "vibração essencial". Bjs, PJ.

carolina disse...

cara, quando eu penso na homeopatia penso também no que sei de orelhada de física quântica e acho que é meio por aí, energia se combinando, que a homeopatia funciona. Gostei dos grafites, vou voltar mais aqui.
beijo!

PJ disse...

Oi Carolina,
E o que achou da hipótese dos fatores psicológicos na função terapêutica da homeopatia?
Adorei sua visita,volte sempre.

liquidificador disse...

pj, eu acho que os fatores psicológicos agem em todo tipo de tratamento, não só na homeopatia. Agora, se vc usa homeopatia sabe bem que a medicação não é voltada para o combate dos sintomas, mas sim para fortalecer o equilíbrio geral do indivíduo, de modo que o próprio organismo combata a doença. Por esse motivo, inclusive, a homeopatia atua muito bem como medicina preventiva, daí a necessidade dos retornos constantes, como numa terapia. Sob esse ponto de vista fica claro que a homeopatia atua não só sobre os aspectos psicológicos do indivíduo, mas também junto com eles.
que acha?

PJ disse...

Oi Carol, interessante seu comentário. Me interessou saber se você é médica, psicóloga, usuária etc.
O que eu acho é que, se fatores psicológicos atuam em qualquer encontro humano de qualquer tipo, no caso da terapia homeopática eles são decisivos. Mais do que outro qualquer. De modo que a homeopatia é, a meu ver, antes de tudo, uma espécie de terapia psicosomática. Daí alguns tipos específicos de disturbios onde encontramos maiores relatos de sucesso etc.